AFINAL, É TRABALHO OU TRIPALIUM?


Luci Endson Balthazar, Psicóloga e Coach
www.promoverpsi.com.br


Há situações em que a equiparação de trabalho com sofrimento parece refletir-se na própria origem da palavra, que vem do latim tripalium, nome de um instrumento usado para tortura. O dilema de conciliar uma atividade profissional com prazer perdura até os nossos dias e pode ser fonte de distúrbios psicossomáticos para indivíduos e perda de produtividade para empresas.

Viver breves períodos de insatisfação ou insegurança é suportável e pode servir para impulsionar mudanças positivas. Ansiedade e pressão em pequenas doses podem ser saudáveis e até estimulantes. Porém, quando esses geradores de estresse ocorrem em níveis elevados e/ou por longos períodos, a saúde, o desempenho no trabalho, a vida familiar e social sofrem danos.

É necessário admitir que tensões profissionais acontecem em diferentes graus e que estamos todos sujeitos a vivenciá-las. Mudar de emprego não é necessariamente a solução. Também não vale adoecer! Para o profissional que almeja trabalho e não tripalium, o ponto de partida é o reconhecimento da necessidade de ajuda. Na maioria dos casos, é difícil superar tais situações sem ajuda especializada. Parece óbvio? Pois acredite: chegar nesse estágio é difícil para a maioria das pessoas.

O processo sempre precisa ser realizado de dentro para fora, com a identificação dos principais fatores internos e externos que causam distúrbios, a maneira como lidamos com eles e o que pode ser feito para gerar mudanças positivas. Estas últimas beneficiarão a saúde, o desempenho e, consequentemente, a carreira e o relacionamento com as outras pessoas.

Para a empresa, que precisa gerar resultados, um ambiente saudável é favorável ao desempenho e tem impacto nos números. Isso não é novidade. Então, por que não eliminar ou reduzir os fatores que agridem e criam obstáculos ao sucesso dos indivíduos e, consequentemente, da organização?

O custo pode ser bem menor do que se imagina. Condições de trabalho, novos processos, comunicação interna e treinamentos, entre outros, são investimentos que favorecem o clima organizacional e contribuem para fortalecer a identidade corporativa. Esses investimentos, quando adequadamente implantados, se traduzem em resultados financeiros. É possível estimar e comparar com a conta do “não investimento”, que inclui perdas como afastamentos por doenças psicossomáticas, acidentes, desempenho individual e coletivo abaixo do desejável, oportunidades de negócio que “escapam”, entre outras.

Sim, temos que corresponder às expectativas dos investidores, enfrentar a concorrência e manter a empresa no azul. Portanto, esta não é uma proposta romântica de que a empresa deve ser apenas um lugar para as pessoas serem felizes. Trabalhar com motivação é bom para todos, mas sem esquecer os clássicos direitos e deveres e que recompensa deve ser baseada em resultados. Sem utopias e com clara definição de responsabilidades do empregador e do empregado.

E, se em algum momento, o trabalho virar tripalium, que todos se empenhem na transformação positiva. Humanizar é preciso!